“Seu” Agripino Ramos, um sapateiro de 60 anos, com muito a ensinar sobre a vida
“Se os políticos tivessem um terço da honestidade do ‘seu’ Agripino, o Brasil seria diferente”, declarou emocionada Eliene Rodrigues, atendente da Sapataria Vida, em Jardim Camburi, em Vitória, sobre o colega de trabalho, o sapateiro Agripino Souza Ramos, 60. Isso porque ele encontrou, na tarde da última quinta-feira, R$ 900 dentro de um tênis que estava consertando. Contrariando os adeptos do jeitinho brasileiro, o sapateiro devolveu o dinheiro ao dono, o aposentado Carlos Augusto Bastos, 55, que nem sabia que tinha perdido.
Católico fervoroso, “seu” Agripino, como é chamado, trabalha como sapateiro desde os 12 anos de idade e confia sua vida a Deus. Separado de um casamento há 15 anos e com filhos já criados e casados, se diz feliz com o que já conquistou. “Espero a vinda do meu Senhor lá de cima. Dando para viver com a aposentadoria e fazendo um biquinho já está bom pra mim”.
Por isso, explicou que nem passou pela sua cabeça ficar com o dinheiro que não lhe pertencia. “Nem pensei em ficar com ele, por causa da consciência. Com a idade que eu tenho, nunca precisei pegar nada de ninguém. Não ia ser agora. Deus sempre me ajudou”.
No dia seguinte ao acontecido, na última sexta, o sapateiro virou a sensação do local. E não faltaram pessoas para elogiar a índole de Agripino, como a colega de trabalho Eliene e o dono do tênis, Carlos Augusto. “Ainda bem que existe gente honesta”, comentou o aposentado enquanto explicava que ia jogar o tênis fora quando resolveu levar para consertar. “Mas nem imaginei que tinha dinheiro lá dentro”, revelou.
Como sinal de gratidão e recompensa, Carlos Augusto presenteou “seu” Agripino com R$ 100. O dinheiro veio em boa hora, já que o sapateiro estava precisando. E, mesmo não tendo os demais R$ 800, disse que vai dormir feliz e satisfeito. “A honestidade é a melhor coisa que tem. Poder colocar a cabeça no travesseiro e dormir”, declarou.
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Texto produzido para a editora do Dia-a-Dia, do Jornal A Gazeta, Cíntia Alves. Porque ela que fizéssimos o exercício ![]()
Escrito hoje mesmo.
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