Jornalista mente para polícia e simula próprio sequestro

Para quem não viu ainda.

Matéria da Daniela Zanotti, no Gazeta Online de ontem a noite.

Para quem não acompanhou o início da história: “Jornalista é sequestrada, assaltada e torturada em Vila Velha”, por Lucas Monteiro, dia 9 de julho.

Depressiva, jornalista muda versão e confessa não ter sido violentada

11/07/2008 – 19h22 (Daniella Zanotti – Redação Gazeta Rádios e Internet)

Uma grande reviravolta ocorreu no caso da jornalista, de 38 anos, que afirmou ter sido vítima de seqüestro relâmpago e tortura em Vila Velha, nesta quarta-feira(09). Na verdade, a mulher mentiu para a polícia e confessou nesta sexta que simulou tudo. A intenção inicial da jornalista era atentar contra a própria vida, mas ao perceber a bobagem que iria fazer se arrependeu e inventou toda a história para proteger os filhos.

Segundo o delegado da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (DRCCP), André Cunha, a mulher sofre de problemas emocionais muito sérios e não estava se tratando adequadamente. A depressão começou com a morte do irmão no ano passado, fato que a abalou profundamente.

No primeiro depoimento que prestou à polícia, a jornalista disse que foi abordada por dois homens, que a obrigaram a beber uma grande quantidade de vodca com a intenção de dopá-la para depois estuprá-la. A verdadeira versão é que a jornalista, num ato desesperado, misturou vodka com remédios. Para maquiar a situação, ela fez cortes nos braços, queimou os seios com uma ponta de cigarro e arrancou mechas do próprio cabelo. Ela também tinha afirmado que os bandidos a obrigaram a sacar R$ 700,00 em um caixa eletrônico mas o dinheiro estava escondido na bolsa.

A jornalista passou por todo o procedimento padrão,como fazer exames no DML, e chegou inclusive, a produzir o retrato falado dos supostos criminosos. Segundo André Cunha, desde o primeiro dia, a investigação apontava para a possibilidade dos fatos não terem ocorrido da forma como foram relatados, mas mesmo com as suspeitas, a polícia deu continuidade as apurações, já prevendo a confissão. “O principal é que a polícia conseguiu alcançar esse resultado sem perder a sensibilidade necessária no trato com a pessoa humana”, disse o delegado. [Se a pessoa envolvida nessa história fosse de um bairro carente ou tivesse uma situação socioeconômica menos favorecida, talvez o nível de compreensão da polícia fosse um tanto menor]

Durante o intervalo do almoço nesta sexta, a jornalista procurou a polícia e confessou tudo. De acordo com o delegado, ela estava muito abalada. “Foi perceptível um sofrimento muito grande interno dela, uma luta muito grande num processo depressivo e um grande arrependimento. Os familiares confirmaram que ela será submetida a um tratamento rigoroso e a gente espera como policial e ser humano que ela possa se recuperar e ter dias melhores”, ressaltou.

A jornalista está sob os cuidados da família, que se comprometeu em mantê-la em tratamento. Em razão das circunstâncias do caso, a polícia decidiu encaminhar um relatório para o Ministério Público na próxima semana sugerindo o arquivamento do inquérito. [Ela aparentemente não sofrerá nenhuma sansão. Nada. Interessante, não é?]

Deixe um comentário